1 de Dezembro de 2009

Erg Chebbi, Marrocos, 06 de Abril de 2009



Imagine-se: são duas da manhã e, no Bivouac do Belle Étoile (Merzouga), já toda a gente dorme. O deserto está mesmo ali ao lado; a lua joga às escondidas entre as nuvens; e o silêncio é apenas pontualmente quebrado pelo balir dos camelos ao longe.

O cenário é perfeito para umas fotografias nocturnas. Contudo, há um pequeno entrave à operação: o tripé ficou em casa e, sem apoio, é impossível tirar fotografias com quinze segundos de exposição. Mas o encanto da noite não permite que se desista à primeira dificuldade; e, "como quem não tem cão, caça com gato", pousa-se a máquina no chão - seja no dorso de uma duna ou num tapete -, ajeita-se o ângulo com uma écharpe enrolada sob a lente e cruza-se os dedos para que o enquadramento não saia muito disparatado.

O postal (duplo) de hoje exibe justamente duas das imagens que resultaram desta experiência nocturna. A Canon 350D reproduziu a paisagem com uma qualidade de luz extraordinária mas o que eu mais gosto nestas duas imagens são os pequenos pormenores que confirmam a hora a que foram captadas: na primeira, as estrelas que brilham aqui e ali; na segunda, o efeito de céu esfumado, causado pelo movimento das nuvens durante o tempo de exposição.

28 de Novembro de 2009

Ouarzazate, Marrocos, 10 de Abril de 2009


Um pequeno percalço mecânico durante a viagem em Marrocos obrigou ao desvio inesperado para Ouarzazate, uma cidade conhecida por acolher grandes estúdios cinematográficos. Contudo, os cenários não se encerram apenas entre os muros dos estúdios: na aproximação a Ouarzazate, passámos por uma bomba de combustível que parecia saída de um qualquer filme passado no interior dos Estados Unidos nos anos 70. Tivesse eu caído ali de pára-quedas e diria que estava em plena Road 66 em vez de Marrocos...! (Em retrospectiva, é pena não termos parado para tirar uma fotografia...)

O postal de hoje, no entanto, mostra a Kasbath Taourirt, no centro de Ouarzazate. A medina é mais pequena do que as de Fez ou Marraquexe mas, na verdade, isto é pode ser considerado um ponto positivo: visitámos as típicas lojas de tapetes, especiarias e quinquilharias que também se encontram nessas cidades maiores mas as ruas eram bem menos caóticas e o assédio infinitivamente menor.

Da imagem propriamente dita, há pouco a dizer: a panorâmica sobre a Kasbath foi captada a partir do terraço de cobertura de uma destas lojas, com a cor avermelhada do adobe a dominar por completo a massa construída.

21 de Novembro de 2009

Iriki, Marrocos, 07 de Abril de 2009


À noite, no deserto,

uma árvore solitária.

a luz branca da lua cheia.

as pegadas do vento nas dunas de areia.



(...porque hoje me sinto minimalista!)

27 de Outubro de 2009

Erg-Chebbi, 06 de Abril de 2009

Dando seguimento ao tema de Marrocos iniciado no último postal - embora sem continuidade cronológica -, hoje publico uma imagem do Auberge des Étoiles, localizado às portas do Erg-Chebbi e perto de Erfoud. À direita vê-se a tenda das refeições; ao fundo, um bloco com algo parecido com a recepção e um pequeno bar; e, entre um espaço e outro, este "terreiro" revestido a tapetes e com os bancos dispostos em torno de uma fogueira.
Apesar de todas as boas lembranças que esta imagem me traz, publico-a sobretudo pelas cores extraordinárias que a máquina fotográfica captou. Houve um pequeno ajuste de contraste mas nada mais - e é esta oposição natural entre o azul do céu e os tons vermelhos/laranja/rosados da areia e do adobe que faz a beleza do deserto e da cultura berbere.

24 de Outubro de 2009

Erg-Chebbi, Marrocos, 07 de Abril de 2009


Depois daquele ímpeto final do relato da viagem de Interrail, o Postais de Viagem ficou inactivo durante mês e meio. Hoje, regresso à publicação de postais com uma imagem da minha incursão a Marrocos na Páscoa deste ano.
Para já, e porque a falta de tempo não me deixa alongar em introduções ou explicações, deixo estes dois camelos captados no amanhecer do Erg-Chebbi como um aperitivo para os postais futuros.

9 de Setembro de 2009

Coimbra-Aveiro-Porto-Braga, 22 de Agosto de 2008

A bordo do Lusitânia Express Hotel - que nome tão pomposo, não é? -, e de regresso a Portugal, dei por mim com saudades do chão duro e frio das estações de Milão. Porque, para um comboio que viaja durante a noite, garanto que é impossível ter umas cadeiras mais desconfortáveis - antes os comboios de leste, onde, apesar dos couros rasgados dos bancos e o aspecto geral de decadência, se conseguia dormir uma noite inteira.

Chegámos a Coimbra ainda antes das seis da manhã. Na sala de espera estava um senhor idoso, com um nítido problema de incontinência. O cheiro intenso a urina convenceu-me a deixar o quentinho da sala de espera para dormitar um pouco nos bancos de madeira exteriores. Com o pequeno-almoço tomado, subimos de mochila às costas até à Universidade de Coimbra.

Descemos novamente em direcção à estação e apanhámos o comboio para Aveiro, onde fomos almoçar ao Fórum Aveiro. Em ano de Jogos Olímpicos, custou-me imenso perder a maioria das competições - mas chegámos a Portugal no dia certo para, enquanto almoçávamos, vermos o Nélson Évora subir ao lugar mais alto do pódio de Pequim.

De Aveiro levei o único 'presente' para a minha família: uma caixa de ovos moles. Tendo em conta que o meu pai é diabético, que o meu irmão não gosta especialmente de doces e que o primeiro postal de Paris já deixou claro que estou em vias de ir para o Inferno por gula, está-se mesmo a ver que foi uma prenda mais para mim do que para eles... Que filha e irmã desnaturada! Um mês fora, a fazer férias à custa dos paizinhos (vá, ainda contribuí com uns cobres ganhos à custa da Universidade), e volto sem um único presente! Felizmente, ainda vou tendo uma família porreira, que não sofre com as febres do consumismo ou dos "souvenirs", "recuerdos" e afins.

A viagem de Aveiro para o Porto ficou marcada sobretudo pelo grande número de pessoas que vinha da praia - o comboio ia cheio. Contudo, ainda deu para apreciar o espectáculo oferecido pela travessia da Ponte de S. João. Chegados a S. Bento, e agora tão perto de casa, preocupámo-nos apenas em apanhar o comboio seguinte para Braga. Apesar de todos os dramas deste interrail, sei que poderia ter seguido de viagem mais um mês; para para os meus companheiros de viagem, o reencontro com a família foi, acima de tudo, marcado pelo choro dos dois lados. Mais um bocadinho e parecia que tínhamos ido para guerra - e durante dois anos, pelo menos - do que de férias...

Para mim, este interrail não foi uma história exactamente feliz. No entanto, tenho por objectivo a curto prazo voltar a pegar na mochila e sair de novo Europa fora, com a vantagem de agora saber duas coisas essenciais: em primeiro lugar, que mais de três ou quatro pessoas é demais; e, em segundo lugar, que é preciso ter a certeza que os objectivos de viagem são os mesmos.


Fim. The End.

8 de Setembro de 2009

Madrid, Espanha, 21 de Agosto de 2008

Nunca antes tinha estado em Madrid - é um daqueles casos típicos que resulta de nem ser perto, nem ser longe e muito menos a caminho de algum sítio. No entanto, um dia em Madrid chegou-me para descobrir o que estava a perder...

Andámos pelo Palácio Real, pelo templo egípcio transladado, pela Caixa Forum, pela Plaza Mayor e pela Cibeles - e pelos museus, à porta, novamente, como no Belvedere de Viena. O Prado e o Rainha Sofia - onde tenho a consolação de ainda ter entrado na sua excelente livraria/loja - são a minha maior certeza de que não tardarei muito em voltar a Madrid.

E é por este motivo que a imagem do postal de hoje é esta e não outra, mais reconhecível e menos abstracta: a fotografia foi tirada no exterior do Museu Rainha Sofia, evidenciando a linha de separação (união?) entre o edifício antigo e a ampliação levada a cabo por Jean Nouvel.